Decepção

SBTVD: O melhor do Brasil é o brasileiro!!!

Achei muito interessante esse email(que recebi através da lista de discussão “Projeto de Software Livre – Brasil – [PSL-Brasil]“), se trata de uma dura crítica ao que o ministro Hélio Costa está fazendo com a soberânia tecnológica do país, tive a oportunidade de está no segundo dia do 1° Fórum Amazônico de Tv Digital, realizado ano passado(2005), onde aconteceram várias apresentações sobre o desenvolvimento colaborativo do SBTVD (Sistema Brasileiro de Tv Digital) com o apoio do CNPq, no fórum foram apresentados trabalhos da
criação de uma plataforma(c++/java),hardware (set top box), softwares rodando nesta plataforma, multiplexação/demultiplexação de mídia MPEG-4 desenvolvido por pesquisadores da Unisinos e lembro-me bem que a semelhança do modelo MPEG-4 desenvolvido para a plataforma SBTVD perdia qualidade por muita pouca diferença, eu diria imperceptível,pra mim foi uma experiência mágica pois nunca havia visto tantos ciêntistas brasileiros juntos discutindo algo em comum, lembro-me também que o representante do CNPq disse que era a primeira iniciativa ciêntifica convocando toda a classe acadêmica, estudantes, cientistas/pesquisadores, engenheiros e outros, para a criação do SBTVD, e que após esta haveria outras convocações a comunidade ciêntifica brasileira, e isso me deixou muito orgulhoso do meu país.

Após acompanhar algumas notícias dispersas nos noticiários on-line, percebi que todo o esforço/estudo da comunidade ciêntifica brasileira irá por água abaixo! se não for impedido, pondo mais uma vez a nossa soberânia tecnológica nas mãos de estrangeiros, na minha opnião pessoal aceitar padrões tecnológicos de estrangeiros é assinar o atestado de incompetência e jogar no lixo todo o dinheiro investido nas pesquisas, nosso dinheiro, meu e seu(cidadãos brasileiros).

Segue abaixo email por Everton Rodrigues:
*SBTVD: O melhor do Brasil é o brasileiro!!!*Heitor Reis (*)

Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), através de seu Comitê Mineiro, promoveu o lançamento de duas publicações, dia 07/04/2006, em Belo Horizonte, a revista “MidiaComDemocracia” e a cartilha “Como domar essa tal de mídia?”, dentro do 3o. Encontro de Comunicação da Fenajufe – Federação Nacional dos Trabalhadores do Poder Judiciário e do Ministério Público da União.Dentre as brilhantes colocações que foram feitas pelos convidados, vale a pena destacar uma, pela sua capacidade de demonstrar o tardio sentimento que vem tomando conta da parcela privilegiada da sociedade que tem conhecimento do processo de digitalização da radiodifusão (rádio e TV) no Brasil. Antes tarde que nunca!Carlos Antônio Ferreira, Coordenador de Comunicação da Fenajufe e Presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal do Estado de MG (Sitraemg), foi extremamente habilidoso em produzir a síntese que apus por título desta matéria. A lógica proposta por ele se baseia no fato de que o próprio governo brasileiro, através de seu ministro Hélio Costa, cai em contradição com a propaganda oficial de que o melhor do Brasil é o brasileiro, ao procurar um sistema estrangeiro, mais exatamente o japonês, defendido pela Rede Globo, cujos laços com o ministro são notórios e muito bem conhecidos.Eu não acredito nesta publicidade, por sua lógica ufanista, bairrista e provinciana. Mas considero que ela é extremamente útil para o caso em pauta. Estou certo que o melhor da Argentina são os argentinos. O melhor de Uganda são os ugandenses. E o melhor da Papua-Nova Guiné é o povo que reside ali, etc., dentro da visão que o ser humano é melhor que qualquer matéria bruta ou animal, apesar de estar destruindo tudo que não seja feito a sua imagem e semelhança. Então, talvez devamos ser mais precisos e afirmar que o melhor de qualquer país são alguns poucos exemplares de seus habitantes. Ou muitos, como queira. Mas isto é outra história!…Por outro lado, como o próprio nome indica, buscamos um Sistema *Brasileiro* de TV Digital. Não é nosso objetivo ter um sistema japonês, europeu ou estadunidense (americano ou norte-americano, para os que repercutem ingênua ou conscientemente a megalomania “yankee”).
Imagino também uma caricatura, com Hélio Costa, na qualidade de um juiz de futebol, colocando a bola na marca do pênalti, para o Lula chutar. O Presidente está vestindo a camisa 10 de nossa seleção, óculos escuros e bengala, como convém a quem não enxerga nada que acontece sob sua bem aparada barba. Atenção! Está dentro da área brasileira, com nossos jogadores apontando para o outro lado do campo, gritando: “Não chuta, não, que é gol contra, companheiro!!!”Os jogadores da seleção japonesa, com propaganda “Globo, tudo a ver!” na camisa, esfregam as mãos ansiosos e com um discreto sorriso maldoso nos lábios. É bom ressalvar que esta idéia foi originalmente defendida por Carolina Ribeiro, Diogo Moysés e João Brant, integrantes do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, à qual adicionei meu toque pessoal, sugerindo sua tradução em formato visual.

Até o momento, apesar de minha insistência, não consegui quem pudesse dar forma a esta proposta…

Dentro deste quadro de reações criativas à ditadura nos meios de comunicação, na política e na economia, surgiu também o Cordel da TV Digital, em texto, áudio e vídeo, digno de ser divulgado para a população em geral, tendo em vista sintetizar de forma lúdica e simples um assunto de grande complexidade e relevância, permitindo melhor palatabilidade junto aos nossos 74 % de analfabetos e semi-analfabetos em nosso idioma, bem como aos 20 % de analfabetos políticos plenamente conscientes das possibilidades da flor do Lácio. Texto: ao final deste.

?udio: http://brasil.indymedia.org/media/2006/03//347219.mp3

Vídeo: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/03/348365.shtml

Agora que Hélio Costa já assinou acordo com os japoneses, resta a nós tentarmos abrir os olhos do Presidente para não homologá-lo e da maioria dos 800.000 membros do PT (campo majoritário), que é responsável direta pelo que ocorre em seu partido e por mais um gol contra que estão prestes a fazer, além de, por exemplo, multiplicar o número de bilionários e o lucro dos bancos que vem lhes financiando as campanhas, sem nenhum protesto significativo por parte da minoria.

______________________________________________________________
Heitor Reis, engenheiro civil, é articulista e palestrante da Federação
das Associações de Imprensa do Brasil (Fenai/Faibra).
*1 – O cordel da TV digital***
*02/03/2006 | *Luciana Rabelo (*) Observatório da Imprensa

Brasileiros atenção
pro que está acontecendo!
O País está vivendo
momento de decisão.
A nossa televisão
tá prestes a ser mudada,
e pode ser melhorada
se o povo se unir
e agindo exigir
TV democratizada.

Eu vou tentar explicar!
O Brasil tem que escolher
qual modelo de TV
deverá ele implantar
para digitalizar
a forma de transmissão
em nossa televisão.
Se escolhermos direito
será o passo perfeito
pra democratização.

É importante saber
que é pública a concessão
de rádio e televisão.
E se é assim por que
só tá na mão de um poder
e não nos braços do povo?
Mas pra nós sobra o estorvo
de não poder se escutar,
de não poder se mostrar
porque eles cortam o novo.

Com a TV digital,
em um mesmo equipamento,
haverá recebimento
de um tal multicanal,
pois em um mesmo sinal
caberá quatro canais
que abertos e plurais
serão meios de expressão,
meios de transformação,
das misérias sociais.

Quem internet não tem,
nem sabe o que é e-mail,
desfrutará desse meio
e outras coisas também,
pois a tal TV contém
tudo isso reunido,
bastando ser escolhido
o modelo ideal
pra inclusão social
do nosso povo oprimido.

É a chance da maioria
poder usar sua voz.
É o momento de nós
na mídia fazer poesia,
resgatar cidadania,
ecoar nossos anseios
gritar nossos aperreios
pro mundo todo escutar
e podermos transmutar
esses gritos em gorjeios.

Produção independente
ganhará devido espaço
e dará o grande passo
de enfim plantar semente
de uma programação decente,
bem mais regionalizada,
bem mais diversificada,
difusora de culturas,
livre de qualquer censura
a nada mais amarrada.

Mas essa realidade
tão sonhada por a gente
depende do presidente
reagir com mais verdade.
E nós, a sociedade,
entrar nessa discussão.
Que é nossa a televisão!
O ar, as ondas, a terra!
E só o que nos emperra
é tanta concentração.

O Governo Federal,
muito mal representado,
tem Ministro de Estado
teu empresário boçal.
E a TV digital
importante instrumento
para o desenvolvimento
corre o risco de ficar
como sempre teve e tá
nas mãos de um poder nojento.

O tal ministro citado,
que se chama Hélio Costa,
de fato somente aposta
no monopólio privado,
neste empresariado
que recebeu concessão
de rádio e televisão
e quer se perpetuar
o único a mandar
na nossa programação.

Três modelos são usados
em países estrangeiros.
Falta agora o brasileiro
que já vem sendo estudado,
mas não é incentivado
pelo ministro Hélio Costa
que com uma conversa bosta
“só que saber da imagem”
e do que traz de vantagem
o comércio de resposta.

Hélio já quer escolher
o modelo do Japão.
E nós, a população,
queremos compreender
por que não desenvolver
um modelo brasileiro
e trocar com o estrangeiro
a nossa experiência?
É preciso paciência
não pode ser tão ligeiro.

Nossa tecnologia
poderá desenvolver
um modelo de TV
que nos dê soberania,
impulsione a economia
pra benefício geral
e a política industrial
tomará um novo impulso,
mas é preciso ter pulso
pro sonho virar real

E a nossa rádio querida
um meio tão genial?
Também vai ser digital,
mas já tá sendo ferida
por decisão desmedida
que em teste colocou
um modelo de cocô
lá dos Estados Unidos
que precisa ser banido
extirpado com ardor.

O tal modelo testado
pelas grandes emissoras
parece uma vassoura
varrendo o nosso prado
querendo-nos afastados
do espectro radiofônico,
do nosso poder biônico,
de transportar nosso tom
aos ares e a Poseidon,
num ato lírico sônico.

Nossa comunicação
tá é toda atrapalhada
as leis já não valem nada,
é grande a concentração.
Os meios de produção,
são os mesmos que transmitem,

“,1] ); //–>só o que os donos permitem
já que muito é censurado
e a gente fica obrigado
A receber o que emitem

Eles querem capital,
nada mais lhes interessa,
e vêm com uma conversa
de que querem o bem geral.
Mas só o comercial
de fato os movimenta,
e a gente não mais agüenta
tão grande desigualdade,
tão louca sociedade,
que tanto nos atormenta.

A discussão é política,
técnica e social
e nos é fundamental
uma visão mais holística,
pois não é só estatística
é cultura, educação
e nossa legislação
tem que ser remodelada
pra ficar mais adequada
à nova situação.

É hora de acordar
pois a comunicação
é troca, é interação.
Não dá mais para ficar
da forma como está
nas mãos de uma minoria
que defende a hegemonia
de cruéis monstros Globais
que se mantêm voraz
roubando nossa fatia.

Gente, comunicação
é um direito humano!
Não é somente um cano
de passar informação.
É forma de comunhão,
forma de sobrevivência,
de expressar nossa essência,
de viver com liberdade,
com mais naturalidade
e também mais consciência.

(*) Jornalista e poeta, Recife